Juntaram-se quando frequentavam a Universidade de Cardiff e nunca mais se separaram. Los Campesinos! foi o nome escolhido para baptizar uma família galesa numerosa: são sete e todos adoptaram o apelido Campesinos, à semelhança do que, no passado, foi feito por bandas como os Ramones ou os Walker Brothers. "O nome foi ideia do Neil, que sabia falar espanhol", explica o guitarrista e compositor principal Tom Campesinos!. "Ele deu a dica e como todos gostámos da sonoridade, ficou. Nunca pensámos chegar a esta posição em que temos de explicar de onde surgiu o nome [risos]". O ponto de exclamação no final do nome também não foi decidido ao acaso. "Naquele momento era algo que estava muito em voga e resolvemos fazê-lo como gozo", explica Gareth Campesinos!, vocalista e letrista da banda. "Muitas pessoas disseram que merecíamos o ponto de exclamação e resolvemos ficar com ele porque somos uma banda muito excitante", acrescenta Tom enquanto os dois músicos trocam gargalhadas cúmplices.O universo indie onde se movem valeu-lhes as atenções da conceituada editora Wichita (casa de nomes como Bloc Party ou Clap Your Hands Say Yeah), corria o ano de 2006. O primeiro EP saiu em meados do ano seguinte e os dois longa-duração foram editados com apenas 7 meses de diferença, em 2008. "Hold On Now, Youngster..., o nosso primeiro álbum, tem canções que já tínhamos escrito há bastante tempo e por isso quando conseguimos gravá-lo, começámos a fazer imensa coisa e acabámos por editar um segundo pouco depois", explica Tom, esclarecendo logo de seguida que os Campesinos! querem ser "daquelas bandas que quando têm as canções prontas avança para o álbum". O músico garante que no futuro vão espaçar as edições porque se não o fizerem vão correr o risco de elas "não receberem a atenção que merecem".Serem uma banda numerosa tem prós e contras. Um dos argumentos a favor é o facto de "por sermos sete e termos todos gostos musicais diferentes, há uma variedade muito grande de ideias". O processo de composição não é tão conturbado quanto se poderia supor. "Eu escrevo as canções, o Gareth trata das vocalizações e depois começamos a juntar tudo. Torna-se prático sermos tantos, porque conseguimos desdobrar-nos em diferentes tarefas". Mas claro que a confusão reina em determinados momentos. "Socialmente é muito bom, porque há sempre pessoas com quem desabafar se te chateias com alguém. Torna-se um bocado difícil despacharmo-nos a tempo, porque há sempre alguém que se atrasa. Nada de grave", confessa Gareth. A principal dificuldade é mesmo a questão financeira. "O facto de nunca conseguirmos ganhar muito dinheiro individualmente e de ser bastante dispendioso andarmos em digressão são questões bastante difíceis".Apesar de se terem conhecido na universidade, nenhum dos elementos da família Campesinos! estudava música. "Não dá para ver?" interroga Tom antes de atirar de forma provocatória: "acho que isso é uma coisa boa, porque as pessoas que estudaram música transformam tudo numa ciência, tentando sempre encontrar a melhor forma de escrever uma boa canção". O único elemento com formação musical na banda é a "fantástica violinista" Harriet. "Somos auto-didactas e por isso sentimo-nos muito mais entusiasmados e somos muito mais primários quanto àquilo que achamos que é bom. Nunca esperámos chegar até aqui e o facto de termos algum sucesso é um grande prazer". Agora que estão realmente "aqui", o que se segue? "Já acabámos de gravar o terceiro álbum. Vai ser editado assim que possível. Provavelmente no ano que vem"."The Sea Is a Good Place to Think of the Future" foi o primeiro tema divulgado da terceira colecção de originais. O novo registo será, segundo Tom, "mais detalhado". "Ainda nos focamos nas melodias e ganchos, mas de forma mais subtil porque já percebemos que a sequência e progressão das canções é essencial". Gareth finaliza. "Melhorámos muito enquanto músicos e aprendemos mais sobre sonoridades e texturas. Estamos confiantes de que todas as canções que escrevemos para este álbum estão entre as dez melhores que alguma vez fizemos".
Mário Rui Vieira