Orfeu RebeldeCada Som Como Um GritoNo início era o verbo. Neste caso, a palavra-mãe pertenceu mesmo a Miguel Torga, escritor que «desde a tenra maturidade fascina e provoca» Fernando Ribeiro, a voz dos Moonspell. Nome grande do heavy metal português, o vocalista aceitou com entusiasmo o convite de Henrique Amaro, no sentido de gravar um disco de «spoken word». Para o efeito, reuniu uma equipa de colaboradores próximos: Rui Sidónio, dos Bizarra Locomotiva, que já acompanhara Fernando Ribeiro «noutros cantares de terror e beleza», e Pedro Paixão, novamente nas palavras do Sr. Moonspell «a pessoa que, na sombra ou fora dela, mais tem feito pela minha banda de sempre». Paixão musicou «com classe e escuridão» as palavras de Miguel Torga, cuja obra Orfeu Rebelde (1958) deu nome à banda. As vozes como gritos são de Rui Sidónio e Fernando Ribeiro, que não se cansa de louvar «o português de Torga: duro mas belo, cerimonial mas envolvente».Linda MartiniIntervaloAndré, Cláudia, Hélio e Pedro: eles respondem pelo nome colectivo de Linda Martini e são uma das bandas rock mais populares entre as jovens gerações de melómanos em Portugal. Enquanto o segundo álbum não chega (o primeiro, Olhos de Mongol, foi o favorito dos leitores da BLITZ em 2006), os lisboetas aceitaram o repto de Henrique Amaro e afadigaram-se a preparar um EP ao vivo em estúdio. Chama-se Intervalo e, à semelhança do que aconteceu com os Vicious Five, foi gravado nos estúdios Namouche, em Lisboa. Sobre ele, os Linda Martini têm, por enquanto, a dizer: «Não quisemos fazer um disco ao vivo, mas antes um disco vivo». A julgar pela habitual participação popular nos seus concertos, não temos razão para duvidar.Margarida PintoA AprendizagemMargarida Pinto, a voz dos Coldfinger, partiu à descoberta de si mesma. Os achados que fez reúne-os em A Aprendizagem, um EP de reflexões e perguntas, mais do que de respostas ou conselhos. Para Margarida, estas cinco músicas são «como uma viagem que começa na janela do meu pensamento, mas que pode ser de qualquer um». Partilha e empatia são, assim, os condimentos do novo disco de Margarida Pinto, que já em 2005 se mostrara fora dos Coldfinger, com Apontamento. Desta feita, oferece-nos «Lisboa Com Suas Casas», «Mariazinhas» ou «Agulha do Tempo». É aproveitar.YouthlessTelemachyOs Youthless de Sebastiano Ferranti e Alex Klimovitsky têm os pés em Lisboa e a cabeça em Londres – ou vice-versa. Um é inglês, o outro americano, e na apresentação que fazem do seu EP para a Optimus Discos, baixista e baterista elogiam o «ar cru, descontraído e espontâneo» de tudo o que sai do pequeno estúdio do seu amigo Rory Brattwell, em Londres. Quando «desencaminhados» por Henrique Amaro para gravarem um EP, Sebastiano e Alex, amigos de myspace e vizinhos de estilo de gente como Yeah Yeah Yeahs, MGMT ou Vicious Five, verteram os sons de Londres em Telemachy. O resultado, dizem os próprios, é «inesperadamente limpo, coerente e ambicioso». A confirmar, numa altura em que a música de «Sab» e Alex, antigos membros dos Three and a Quarter, começam a aparecer em anúncios da MTV e demais trampolins mediáticos.Olive Tree DanceUrbano Roots – Energia Explosiva na Música Dance 100% OrgânicaMúsica de dança em acústico – a premissa pode parecer alienígena, mas aos portuenses Olive Tree Dance o rótulo de extraterrestre nem cai mal. Uma das bandas que, no Optimus Alive!09, mais surpreenderam no palco Optimus Discos, os autores de «Airport Tunnel» existem desde 2003, tendo participado em vários concursos de novas bandas e compilações de talentos. Mas é ao vivo que os espectadores mais têm aderido à proposta dos Olive Tree Dance: fundir a música de dança, sempre acústica, com sons tribais. O didgeridoo, instrumento aborígene da Austrália, é a peça central e insubstituível deste trio onde militam Oliver (didgeridoo), Xoben (bateria) e Gupi (percussão). Apesar da rica experiência, sobretudo em palcos de festivais internacionais, os Olive Tree Dance não têm qualquer disco editado: a estreia é pela Optimus Discos, com o EP Urbano Roots – Energia Explosiva na Música Dance 100% Orgânica. E se daqui espera (apenas) folclore, desengane-se: os Olive Tree Dance não dizem que não a passeatas por África, pelo Brasil e pela história do jazz. O álbum, esse, está prometido para o último mês de 2009.GovernoPropaganda SentimentalMais do que escritor, mais do que artista plástico, mais do que melómano, Valter Hugo Mãe é um fã. É ele quem o diz, na apresentação dos Governo, a banda que tem o gosto e a honra de partilhar com Miguel Pedro e António Rafael, dos Mão Morta. Seguidor da banda de Braga desde tenra idade – «tornaram-se o melhor modelo de som e pensamento, de protesto e inteligência» – Valter Hugo Mãe dedica o EP dos Governo aos seus companheiros de banda (Miguel Pedro na guitarra e programações, António Rafael nos teclados). «Este Governo é todo uma entrega ao Miguel Pedro e ao António Rafael do meu grato esforço de fã para que saibam o quanto o trabalho que fizeram e fazem importa para tanta e tanta gente que, como eu, precisa da sua música para viver». Palavra de fã.MANUAL DE INSTRUÇÕESA Optimus Discos é uma colecção de discos de artistas portugueses, ou de raízes lusófonas, editados em MP3 no site da iniciativa (www.optimusdiscos.com) e como CD nas lojas FNAC. Se fizer o download legal dos EPs no endereço acima, o disco é completamente grátis. Caso se decida pela versão física, cada CD custa menos de €5,00.A série que lhe apresentamos, este mês, é já a terceira da Optimus Discos. Este ano, artistas como Vicious Five, Mazgani, Tiguana Bibles, Bombazines ou DJ Ride, entre outros, lançaram um EP cada ao abrigo desta acção. Todos os seus discos continuam disponíveis gratuitamente em www.optimusdiscos.com ou por €4,95 nas lojas FNAC.A Optimus Discos contempla ainda a edição, através da Área Extra, de vários EPs apenas como download gratuito. Grupos como os brasileiros Autoramas, os moçambicanos 340ml ou os portugueses At Freddy’s House têm os seus EPs disponíveis para download em www.optimusdiscos.com. Estes discos não são lançados em CD.A Optimus Discos prossegue em 2010, com mais três rodadas de EPs on-line e em CD, e com a continuação da Área Extra.
Lia Pereira