A EDIÇÃO de Novembro do Clubbing Optimus – no dia 14 – promete intensidade acima da média, com o cruzamento na sala Cybermusica e nos Bares 1 e 2 da Casa da Música de artistas como Marcelo D2, DJ Ride, Bezegol e Nego Moçambique. Hip-hop, breaks do futuro com passagens pelo dubstep, Reggae/Dancehall com travo nortenho e subatomicbrokenhouse serão algumas das coordenadas desta noite que começará a fazer estremecer os sistemas de som a partir das 23 horas.Marcelo D2 é uma das mais activas e reconhecidas vozes do movimento hip-hop do Brasil. À noite Clubbing trará o seu mais recente trabalho - A Arte do Barulho - incluindo, certamente, o seu novíssimo hit, o single «Desabafo». Marcelo D2 distinguiu-se pela integração da memória da música brasileira nas suas produções e «Desabafo» - que até já mereceu uma versão nacional com Sam The Kid - não é excepção (inclui um sample do tema «Deixa eu Dizer», de 73, da cantora Cláudia).Outro dos artistas presentes nesta noite Clubbing que tem o Brasil no coração e no passaporte é Nego Moçambique, criador do que ele próprio descreve como subatomicbrokenhouse, uma electrónica com sabor tropical que mistura coordenadas de forma deliciosa. La Rumba Computer é o álbum que vem apresentar, no qual cruza funk, electro, ritmos afro e o que mais vier à rede. Além disso, as suas actuações – que já passaram por importantes festivais, como o Sónar em Barcelona, são lendárias pelas peculiares danças com que acompanha as músicas que vai tocando. Promete, de facto.Do lado português deste encontro luso-brasileiro estão igualmente dois pesos pesados, Bezegol e DJ Ride, ambos com edições aplaudidas na série Optimus Discos. Bezegol tem vindo a desenvolver um caminho muito particular que parte do reggae e do dancehall, mas que aposta num sabor distintamente nacional nas referências que inclui (e que chegam mesmo ao fado). Já DJ Ride – espécie de menino prodígio dos pratos e dos samplers – tem na bagagem o Beat Journey que lançou com selo Optimus Discos, um álbum onde o hip-hop é apenas um ponto de partida para uma viagem que com facilidade chega ao dubstep ou ao drum n’ bass, coordenadas que gosta, aliás, de explorar nas noites em que actua como DJ. Tudo somado, dá uma noite que promete agitar corpos, mentes e consciências com muito groove suado – com e sem sotaque.
Rui Miguel Abreu