A RELAÇÃO dos noruegueses Kings of Convenience com o nosso país é longa e intensa, por isso é previsível que o concerto de dia 2 de Novembro no Theatro Circo de Braga, com o apoio da Optimus, seja mais uma ocasião de efusivo festejo dessa relação. Ainda por cima tratando-se de uma noite especial, uma vez que o concerto marca os primeiros 25 anos de vida da Rádio Nova.Este espectáculo será igualmente o primeiro que a banda realiza em solo nacional após a edição oficial de Declaration of Dependence, o novíssimo – e terceiro! – álbum do duo que inclui singles como «Mrs Cold» e «Boat Behind». O facto de esta ser a primeira colecção de originais de Erlend Oye e Eirik Glambek Boe em cinco anos também ajuda a revestir esta edição de uma aura especial para todos os que lhes têm seguido a carreira dos Kings of Convenience com atenção desde que editaram Quiet is the New Loud, no início da década. E têm sido muitos a procurar não perder pitada da carreira destes moços, recheada de prémios e, sobretudo, do reconhecimento do público.No ano passado, a passagem dos Kings of Convenience pela Casa da Música no âmbito da série concertos@optimus foi absolutamente memorável e extravasou até a notória sala nortenha, prolongando-se, como escreveu na altura Sérgio Gomes da Costa, para a praça em frente ao edifício: «“The Kings of Convenience have left the building”. À hora de fecho desta reportagem os Kings of Convenience estavam na praça da Casa da Música a distribuir autógrafos. Pareciam (ou melhor, eram) dois sex symbols rodeados de meninas e a posarem para todas as fotografias possíveis. Havia quem estivesse incrédulo por ver dois “nerds” em tamanho apuro, mas foi mesmo assim. Às tantas, Erlend Oye perguntou onde era o bar mais próximo e, depois de ouvir a resposta, gritou: “Triplex!”. Já não os seguimos nesse périplo – há coisas que devem pertencer à vida de cada um. O episódio anterior foi só o desfecho de um concerto ocorrido numa Sala Suggia repleta de gente e esgotada há muito tempo. Acabou com Eirik Glambek Boe a cantar «Corcovado», de António Carlos Jobim (sim, foi mesmo «Corcovado», cantado em português do Brasil, e não «Quiet Nights of Quiet Stars»), acompanhado por Erlend Oye no trompete vocal (ou seja, este a imitar um trompete com as cordas vocais).Pouco antes, a dupla tinha convidado as pessoas a deixarem os seus lugares sentados e a juntarem-se à frente do palco». A noite testemunhada por Sérgio Gomes da Costa foi de facto mágica e será, certamente, repetida num Theatro Circo mergulhado em ambiente de festa, devido ao aniversário da Rádio Nova. Quem sabe se também aí o concerto não se prolongará pelas ruas?
Rui Miguel Abreu