O concerto até tinha começado bem para os Pragmatic, mas um dos sintetizadores (tocado por André Anjos, português numa banda de norte-americanos) começou a dar sinais de ser um instrumento temperamental, com falhas sucessivas. Não foi o suficiente, porém, para retirar o interesse da actuação do grupo de Saint Louis, que surge pouco depois da edição do recomendável EP Circles pela Optimus Discos. Na Loja Optimus da Casa da Música, os sofás foram demasiado irresistíveis. Os Pragmatic mereciam que se dançasse, mas a audiência preferiu o conforto do mobiliário que, apesar de tudo, casa bem com a «dança introspectiva» da música do quarteto. Os sintetizadores (três na versão original, dois e meio no concerto) são reis e senhores destas canções, desenhando camadas de melodia e ritmos retorcidos («Deathmatch»), com as quantidades certas de sujidade e apelo pop («Academy»). Em concerto, a bateria acrescenta virulência ao conjunto. Em momentos como «Rendezvous» lembram os Postal Service, sobretudo pela forma como entrelaçaram a voz melancólica de Karl Kling com mantos de sintetizadores. Noutros, pensámos na capacidade melódica dos Cut Copy ou na estridência instrumental dos Klaxons. «Circles», a viciante canção que mostra uns Pragmatic mais atmosféricos, plácidos e pop, fechou uma boa actuação que os problemas técnicos não deixaram brilhar mais.CALLING RING >> Envie um SMS grátis com o texto RBT 06012094 e active o calling ring de «Circles».
Texto: Pedro Rios | Foto: Cristina Pinto Pinto