Juntaram-se em meados da década de 90 mas só em 2002 começaram a desvendar a sua música ao público. Os suecos Mando Diao partilham muitas referências estéticas com os compatriotas Hives, mas embora o seu rock garage seja igualmente eficaz, a atitude é mais discreta e menos poseur. O álbum de estreia Bring ‘Em In deu início à conquista do espaço dos Mando Diao na galáxia musical e em apenas 7 anos são já cinco os álbuns editados. É com o mais recente Give Me Fire que a banda regressa a solo nacional para o primeiro concerto em nome próprio, depois de passagens intempestivas por dois festivais de Verão nacionais.A origem do quinteto sueco remonta ao ano de 1995, quando todos os elementos ainda viviam em pleno a adolescência. O esboço do projecto, baptizado na sequência de um sonho do vocalista e guitarrista Björn Dixgärd (no qual, um gnomo se chegava a ele e gritava «Mando Diao!»), foi feito ainda o músico se encontrava com o teclista da formação original da banda, Daniel Häglund, num projecto intitulado Butler. A mudança de nome aconteceu quando Gustaf Norén, também guitarrista e companheiro compositor, se juntou a Björn. O que se seguiu foi uma verdadeira aventura em reclusão: a dupla isolou-se durante 14 meses numa casa de férias a escrever canções assumidamente inspiradas pela música dos Beatles, embora nomeiem também Otis Redding, Nina Simone, Sex Pistols, Joy Division ou Phil Spector como algumas das suas variadíssimas influências. Um ano antes de o milénio terminar, o projecto subia aos palcos em Borlänge, localidade com menos de 40 mil habitantes onde nasceu (e que, rezam as lendas, os seus elementos não suportam).O momento certo para os Mando Diao se apresentarem musicalmente ao mundo surgiu apenas em 2002, período áureo para bandas com uma estética semelhante, como os Strokes, os White Stripes ou os Hives. E fizeram-no com o EP Motown Blood, primeiro registo a sair de um contrato com a divisão sueca da EMI. As comparações nunca foram, no entanto, algo que os deixasse muito satisfeitos. Numa entrevista à Radio Free Chicago em 2007, a banda explicou que o facto de serem de um «país remoto» os mantinha diferentes do resto do mundo, salientando que «é bom estar algo distante». No mesmo ano, viu a luz do dia o álbum Bring ‘Em In, primeiro longa-duração que continha canções escritas na cave de Häglund, que viria a abandonar os Mando Diao um ano depois da edição do álbum.A distância que separava os Mando Diao do resto do mundo, e os conservava no segredo dos deuses, pode ter começado a esbater-se logo ao primeiro álbum, mas a verdade é que só com Hurricane Bar, de 2004 (abrigo de singles como «You Can’t Steal My Love» ou «God Knows»), se começaram a abrir as portas do importante mercado britânico. O longa-duração valeu à banda a aclamação da crítica, que a considerou uma das revelações do ano. Mantendo um bom ritmo (alimentado por discos de ouro não só na Suécia, mas também em países que os adoptaram com devoção, como a Alemanha, a Áustria ou o longínquo mas sempre atento Japão), o colectivo apostou num terceiro registo de originais dois anos depois. Ode to Ochrasy chegou às lojas no mesmo ano em que os Mando Diao editaram também o primeiro (e único) DVD da sua carreira, intitulado Down in the Past.MÚSICA PARA AFICIONADOSPara converter todos aqueles que ainda não tinham prestado atenção aos seus gritos prementes, os Mando Diao nunca se coibiram de fazer a festa em palco, contrabalançando o rock aguerrido com uma soul que quase recua ao gospel para seduzir. As influências, como já referido, foram muitas e, no início funcionaram com uma espécie de reacção ao que estava na moda na Suécia. «Todos tivemos experiências musicais muito diversas, mas na escola descobrimos que tínhamos os Beatles em comum, por oposição a todos os outros que gostavam era de metal. Foi assim que começámos a criar o nosso próprio universo. Só nos tínhamos uns aos outros e tornámo-nos muito próximos. Ainda o somos e às vezes sentimos que somos só nós contra eles. Depois sofremos muitas influências do mainstream, como os Nirvana, a música da Motown e a música country» explicou a banda em entrevista à Radio Free Chicago.Se em Ode to Ochrasy, a banda decidiu seguir por um caminho que tentava domar o espírito adolescente da sua música e elevá-la a outro nível, no álbum que se seguiu, intitulado Never Seen the Light of Day (editado em 2007, pouco mais de um ano depois do seu antecessor) os Mando Diao apostaram num som assumidamente mais calmo, com o single «If I Don’t Live Today, I Might Be Here Tomorrow» a abrir caminho. O álbum foi escrito na estrada – e num ano que ficou marcado na história da banda por um incidente durante um concerto num festival sueco: parte do chão que a audiência pisava cedeu e 25 pessoas ficaram feridas – porque a banda se sentia saturada do tédio do trabalho de estúdio. O título do álbum reflecte o impacto que banda julgou que a nova sonoridade do trabalho poderia ter na sua editora e que poderia ter feito com que o trabalho nem chegasse a ser editado.O quinto álbum dos Mando Diao chegou às lojas no início deste ano. Give Me Fire marca um regresso ao som mais aguerrido da banda. Com influências cinematográficas de filmes do realizador Quentin Tarantino (Pulp Fiction e Jackie Brown foram vistos até á exaustão, confirmou a banda) ou David Lynch (via Twin Peaks), o registo fica no entanto marcado pela produção da dupla The Salazar Brothers (do grupo de hip-hop sueco The Latin Kings) que deu um enfoque grande à secção rítmica da banda, tornando Give Me Fire no álbum mais dançável dos Mando Diao até à data, como de resto anuncia o primeiro single «Dance With Somebody». Ao site Entertainment Focus, a banda explicou a nova aventura da seguinte forma: «É suposto este álbum funcionar como um filme. Quando estamos a ouvi-lo devemos sentir que estamos mesmo a ver um filme. A mensagem começa com diversão, depois passa para o vício, a morte e o funeral», revelam palavras de Gustaf Norén. Para confirmar esta noite em Lisboa. Actuam no Teatro Tivoli, em Lisboa, a 30 de Outubro.Optimus Secret ShowsSÃO CONCERTOS E SÃO SECRETOS. SAIBA COMO ESTAR PRESENTE.Pela primeira vez em todo o mundo, uma marca dá o nome ao conceito: Optimus Secret Shows é a versão portuguesa do fenómeno que está agitar as maiores cidades do mundo.Os Mando Diao são os primeiros a mostrar a cara nos Optimus Secret Shows, mas muitos outros se seguirão. Quem são, ainda não sabemos, mas para estar sempre bem informado terá que adicionar Optimus Secret Shows (www.myspace.com/optimussecretshows) e Optimus Lounge (www.myspace.com/optimuslounge) ao seu grupo de amigos do MySpace. Será esse o passaporte para as actuações imprevisíveis, únicas e gratuitas, para audiências de 300 a 700 pessoas. O processo será o seguinte: primeiro é divulgado que acontecerá um Optimus Secret Show (os amigos do MySpace serão avisados com antecedência), depois será indicado o local e a data, e só a poucos dias do concerto se anunciará o nome da banda, a sala onde actuará e a hora. Basta imprimir o seu perfil MySpace, onde seja visível que Optimus Secret Shows e Optimus Lounge estão entre os seus amigos, e ser um dos primeiros a chegar ao local. Os espectáculos podem ocorrer em qualquer local, a qualquer hora e em qualquer cidade do país e poderá ainda conhecer as bandas nos sempre cobiçados «meet and greet».Os Secret Shows surgiram nos E.U.A. e já chegaram a países como Espanha, Itália, Japão e Brasil, que puderam ver concertos exclusivos de nomes como Moby, Oasis,The Offspring, Smashing Pumpkins, The Cure, Ting Tings, The Killers e Gnarls Barkley, entre muitos outros.
Mário Rui Vieira