16h00 - As portas do Optimus Alive!08 estão quase a abrir. No interior do recinto, onde por enquanto circulam apenas as pessoas ligadas à organização dos espectáculos, rega-se o chão para que as nuvens de poeira durante os concertos sejam menores do que nos dias anteriores.A BLITZ já falou com Donavon Frankenreiter , um dos primeiros artistas a subir ao Palco Optimus esta noite.O amigo de Jack Johson, que se prepara para lançar um novo álbum, de título 'Pass It Around', acaba de chegar da Noruega, onde actuou num festival.Para esta noite, o cantor-surfista da Califórnia promete um concerto com algumas surpresas. A presença de uma secção de sopros - ouvimos um trompetista a ensaiar durante a entrevista - será uma delas.Sem dono conhecido passou por nós também uma travessa de sardinhas assadas - para satisfazer um apetite súbito de algum dos artistas do cartaz? Fica a dúvida.18h30 - Braddigan vem do Colorado, nos Estados Unidos, e traz uma banda com músicos do Brasil e do Porto Rico. É o primeiro artista a subir ao Palco Optimus esta tarde e fá-lo com sucesso, apesar da reduzida plateia que assiste à sua prestação.Com um timbre que lembra o de Dave Matthews, Braddigan e a sua banda tocam uma música que se enquadra com facilidade no rock 'rootsy' que domina o cartaz de hoje.O reggae com menções à proximidade da praia (parecendo que não, o Atlântico está a duas estações de comboio) e a mensagem social, através de uma canção sobre um concerto de Braddigan numa favela na Nicarágua, são outras marcas de água do espectáculo, ao qual o público assiste com curiosidade.Mais uma vez, é fácil descortinar estrangeiros entre a plateia - além dos espanhóis e britânicos que têm assistido aos concertos do Optimus Alive!08, há australianos neste dia de rock surfista.Ainda que o calor não seja abrasador, um grupo de meninos e meninas que se intitula de 'Fresh Army' circula por entre a plateia borrifando os calorentos com água.18h16 - No palco 'Alive with a scientist?' actuam neste momento os investigadores do Instituto Gulbenkian da Ciência, uma prestigiada unidade de investigação sediada em Oeiras. Ao contrário do que seria de esperar, não há vaias nem assobios. Mais de 200 pessoas já foram espreitar a aula científica formato festival, conceito inédito Optimus Alive!08, uma receita descontraída com muito conteúdo.Na realidade não é bem um palco mas um espaço solarengo ao lado da exposição do cartoonista Sam. Quem por lá passa pode comer gelado de cerveja preta feito com azoto líquido - delicioso e cremoso (explicação: o congelamento é tão rápido que os cristais de gelo são minúsculos e não há tempo para o 'flavour' natural dos ingredientes se evaporar) - ou esparguete de agar-agar, gelatina vegetal com sabor a sumo de fruta e aspecto viscoso, tudo servido como manda o rigor científico em placas de petri, bases de acrílico esterilizadas utilizadas em laboratório.Para os mais sequiosos, há um cocktail molecular (não alcoólico), uma agradável mistura científica, artística e gastronómica, que utiliza nada mais nada menos que 'xantana', um polisacárido produzido por uma bactéria, que é como quem diz um espessante, que é como quem diz não vale a pena pensar muito nisso enquanto o degustamos.Já chega de ciência? Não. A lição mal começou. Há 70 cientistas em campo, em turnos que vão das 17h às 22h, destacados para a missão de divulgar o trabalho científico de áreas como as neurociências, imunologia ou biodiversidade e desmistificar o conceito 'cientista maluco'. A esta hora ainda acreditamos.Segue-se uma ensaboadela de genética com tópicos tão sérios como porque é que há cabelos lisos e encaracolados, olhos de diferentes cores ou, o melhor, porque é que há pessoas que conseguem enrolar a língua e outras não.A nossa visita termina com 5 minutos no 'speed dating', onde se gira de mesa em mesa, ao toque de ferrinhos, com liberdade para perguntar tudo aquilo que sempre se quis saber por ciência. Segundo os investigadores contactados há minutos, o espaço tem servido mais como consultório psico-profissional, com muitas dúvidas sobre cursos e percursos a seguir, mas há também quem queira saber, entre uma e outra cerveja, se Deus existe ou se nos devemos preocupar com os transgénicos.Resta dizer que na parceria estabelecida entre o Optimus A!08 e o ICG, cada bilhete do festival reverte 50 cêntimos para investigação e vão ser lançadas duas bolsas conjuntas para recém-licenciados para o desenvolvimento de projectos na área da biodiversidade. Gostámos.19h18 - Xavier Rudd actua no Palco Optimus para uma plateia já muito bem composta (chega sensivelmente à Torre Optimus, a meio do recinto) e deveras interessada na música do australiano.Não admira: ao contrário do que os menos avisados podiam temer, Xavier Rudd não é mais um inofensivo roqueiro surfista - sozinho em palco ou com um baterista, faz um estardalhaço assinalável, tocando lapsteel (a guitarra deitada no colo), bateria, harmónica e didgeridoo (às vezes ao mesmo tempo).O resultado é encorpado e apelativo; quem ouvir este concerto ao longe poderá incorrer no erro de pensar que em palco está uma banda de vários músicos, ou um artista praticante de música eminentemente dançável.É verdade, a música de Xavier Rudd dança-se e canta-se (sobretudo por vários espectadores australianos) e sente-se por todo o corpo. Todo consolado com a recepção, o músico também sente qualquer coisa: agradece ao público a presença e a 'forte energia' que existe em Portugal.Um dos momentos altos do concerto foi o tema 'Twist', onde se tornaram evidentes as parecenças entre a voz de Xavier Rudd e a de Sting, sobretudo nos tons mais agudos.No final do concerto, o palco foi ocupado por uma iniciativa de defesa da fauna australiana, de nome 'Stand Up For Burrup'.No Palco Metro on Stage, os Juan MacLean trouxeram um pouco da 'Nova Iorque cool' de James Murphy, o maestro dos LCD Soundsystem, a Portugal.Todos alinhados na frente do palco, com uma bateria 'a sério' (e não uma 'drum machine', daquelas que o mentor dos Gogol Bordello diz não terem alma), os quatro músicos tocaram para um público ainda rarefeito.Trouxeram também o arsenal característico da DFA Records - sintetizadores, sampler, cowbells - e a voz fria de Nancy Wang. A energia da música levantou alguns rabos do tapete verde que cobre o chão do palco secundário, mas certamente que, a uma hora mais tardia, o concerto teria mais sucesso.Curiosidade: é na plateia do Palco Metro On Stage que se encontra o maior número de t-shirts espirituosas e leggings coloridos do festival; até já, o prémio vai para o dono da t-shirt onde se lia 'Vagitariano'.19h55 - Em conferência de imprensa, Álvaro Covões da Everything Is New anunciou que a edição de 2009 do Optimus Alive! se realiza de 9 a 11 de Julho.Sem adiantar os nomes que já estão a ser contactados para a próxima edição do festival, Covões lembrou que as confirmações no cartaz começam em Setembro e que 2009 deverá ficar pautado pelo regresso de muitas bandas à estrada.Optimus e Câmara Municipal de Oeiras reforçaram a continuação da parceria responsável pelo 'maior festival do país', recordando que se este ano a operadora celebra o décimo aniversário, em 2009 o município fará 250 anos. Trazer um pouco da festa de Oeiras para o Passeio Marítimo de Algés será motivo para um 'reforço substancial' do apoio ao evento da Everything is New, frisou o autarca Isaltino Morais.Confirmadas as 100 mil pessoas nos três dias de Optimus Alive!08, a organização sublinhou a dimensão nacional e cada vez mais internacional do festival.20h50 - Donavon Frankenreiter está prestes a despedir-se do palco principal do Optimus Alive!08.Em entrevista à BLITZ, esta tarde, o surfista da Califórnia disse-se fã de Bob Dylan e Neil Young, dois dos notáveis do cartaz deste festival, mas também de Dr. Dre e Norah Jones.E de facto não espanta que este trintão, com um bigode e uma fatiota que parecem tirados do filme Almost Famous, goste da doce Norah.As suas canções, conhecidas e trauteadas por muitos dos espectadores, vão do soft rock muito setentista a uma pop-soul de groove manso, como em 'Move By Yourself'.Sempre com teclas, por vezes com um trompete, invariavelmente com muita ternura, o norte-americano que se dirigiu ao público ora em português, ora em espanhol, trouxe um bem-vindo toque meloso ao ventoso fim de tarde no Passeio Marítimo de Algés.'Free', 'It Don't Matter' e 'Life, Love and Laughter', o primeiro single do vindouro Pass It Around , foram alguns dos momentos mais simpáticos do espectáculo.No Palco Metro On Stage, os australianos Midnight Juggernauts , 'buddies' dos Justice, dos Klaxons e dos Crystal Castles, entre outras bandas, simplesmente partiram a casa toda.Aliás, o power deste trio foi tal que a dada altura, mesmo a meio da triunfal última canção, a enorme 'Into The Galaxy', a luz faltou...Houve uma pausa de uns 10 minutos, mas nada que atrapalhasse a consagração final, com a tenda muito bem composta de público aos saltos para coroar uma enorme actuação.Vincent Vendetta, Andy Juggernaut e Daniel Stricker são um energético 'power trio' que, no entanto, trocou a electricidade rock pelas linhas de baixo disco sound e pelo protagonismo dos teclados muito 80s que trazem de volta a ideia dos Buggles, mas com muito mais pinta.Pelosidades faciais abundantes, cabelos desgrenhados, 'skinny' jeans e os inevitáveis sapatos Nike colocam os Midnight Juggernauts em sintonia com as tribos trendy do momento.Mais importante do que isso, no entanto, é a música, apoiada num baixo ultra possante, nas linhas ácidas dos teclados e com vozes que chegam até ao falsetto.As canções são apelativas, impõem a dança e clamam pelo abandono, com um ritmo constante ditado por um baterista completamente alucinado que boa parte do tempo toca do pé sem perder um grama de groove.A meio do concerto há trocas de instrumentos - baixista começa a tocar guitarra, baixista passa para os teclados, teclista agarra na guitarra... - mas a energia permanece absolutamente imparável... até que a energia é cortada.O público prestou a melhor homenagem possível aos Midnight Juggernauts não arredando pé e pedindo insistentemente para que o trio australiano regressasse ao palco.Dystopia, álbum de estreia dos Midnight Juggernauts datado de 2007, mas relançado já este ano pela Capitol, foi o prato forte de um concerto que deixa óptimas impressões de uma banda que parece ter todas as referências certas e uma saudável atitude punk na mistura de todas as pistas. Ficamos à espera do regresso!22h38 - No Palco Optimus, Neil Young toca 'Rocking In The Free World' (reportagem completa no final do concerto).No Palco Metro On Stage, Roisin Murphy deu um dos melhores concertos do festival.A ex-Moloko entrou em palco de forma extravagante, como seria de esperar, e foi recebida pelo muito público como a estrela que é.A irlandesa actuou bastante cedo para o cenário a que geralmente se associa a sua música - noitadas coloridas - mas entrou com tudo: banda, duas bailarinas-cantoras em trajes reduzidos e uma postura de diva, ora robótica ora desfrutável, mas sempre com bichinhos carpinteiros no corpo.Por falar em corpo, ao longo do concerto Roisin Murphy trocou várias vezes de indumentária e acessórios (chapéus, luvas coloridas, casacos de penas) mas manteve sempre um top muito coleante, talvez para lembrar os tempos de Do You Like My Tight Sweater .As suas danças exuberantes e o facto de não trazer soutien fizeram com que, ao nosso lado, um espectador comentasse que a cantora 'põe coisas demais - devia era tirar'.À segunda música, já a multidão estava louca com Roisin, que retribuiu a devoção elogiando por várias vezes a cidade de Lisboa.Já de mangas escuras e máscara negra, Roisin cantaria 'Saw Into You', óptima prova da vertente extrovertida e fantasiosa da sua música pós-Moloko.'Ruby Blue' e 'Overpowered', temas-título de cada um dos discos a solo de Miss Roisin, foram outros dos belos momentos de um espectáculo onde a artista fascinou pela singular presença em palco, bem como pelo talento para, com poucos acessórios e fatiotas, nos dar a ideia de estarmos a ver uma peça de teatro. Sempre com a house, o electro e o funk por perto.00h00 - O palco parece reproduzir um plateau de cinema: há holofotes, uma ventoínha, um telefone vermelho e um billboard daqueles que se vislumbram nos velhos teatros americanos, com letras e algarismos dispersos.Depois temos o 'arsenal': piano - colorido! - uma parede com múltiplos amplificadores, bateria, orgão hammond... Está tudo pronto para que Neil Young entre em palco! No centro, no lugar reservado para o homem de Harvest há o que à distância parecem ser molduras, talvez com fotos de entes queridos, de gurus ou de qualquer outra coisa que o veterano músico considera inspirador. É natural que Neil se queira sentir perto de casa. Mas esta noite, Oeiras foi a sua casa.Com Ben Keith (guitarras steel), Rick Rosas (baixo), Chad Cromwell (bateria), Anthony Crawford (segundas vozes, piano), Larry Cragg (banjo) e Peggy Young (mulher de Young e também uma das vozes de apoio), o homem de 'Rockin in the Free World' (clássico que rendeu o primeiro ponto alto da noite) fez um intensíssimo espectáculo carregado de particularidades.Extremamente comunicativo (sobretudo se o compararmos a Dylan), Neil ainda tratou de transmitir coisas às pessoas de outras formas menos convencionais: trouxe um pintor que no fundo do palco foi criando obras simples que incluiam os títulos das canções que iam sendo interpretadas. Forma curiosa de ir revelando o reportório às pessoas (e que deixa no ar a curiosidade sobre o que será feito de todas aquelas telas após o concerto...) e que talvez ajude a explicar o facto do seu casaco estar cheio de pingos de tinta...Aos 62 anos, Neil não permite que a idade lhe pese nos ombros, e entrega-se visivelmente de corpo, alma e espírito à sua nobre missão de evangelização, munido de guitarra (e por vezes harmónica) para nos dar a conhecer grandes canções feitas da mesma massa com que se moldam os maiores e mais intemporais clássicos.A entrada em palco fez-se às 21h55 com 'Love and Only Love', tema que abriu uma enorme viagem que conduziu a 'Powderfinger', 'Spirit Road', 'Cortez The Killer' e ' Rockin' in the Free World' numa sequência de cortar a respiração, plena de alma e electricidade.Em 'Rockin'' as vozes dos largos milhares que se encontravam em frente ao palco Optimus fizeram-se ouvir em uníssono, fazendo, ainda que por breves momentos, esquecer o frio cortante que se fazia sentir.Também houve tempo para ceder espaço a uma toada menos eléctrica, com 'Oh Lonesome Me', 'Mother Earth (Natural Anthem)' ou 'The Needle and the Damage Done', esta entregue ao público com a ajuda exclusiva de uma guitarra acústica. E, em momentos como esse, é tão fácil ver na música de Young um certo poder redentor, um misticismo qualquer, que lhe enche a música de uma luz muito particular.Seguiram-se 'Unknown Legend', 'Heart of Gold', 'Old Man', 'Get Back to The Country', 'Words (Between the Lines of Age)' e, no final, um apoteótico 'No Hidden Path', tema do recente Chrome Dreams II que mereceu aqui uma longa versão, praticamente um mantra rock que se estendeu sobre um público rendido ao poder da música e da figura de Neil Young.O final foi absolutamente explosivo, com Neil a parecer ter vontade de explorar o próprio âmago da ideia de rock and roll. Os aplausos do público foram enfrentados na boca de cena, duas horas depois do início do concerto, com Neil abraçado à sua mulher e com um largo sorriso no rosto a deixar perceber uma justa satisfação. Concerto enorme. Em todos os sentidos.Houve ainda tempo para um regresso a palco, depois dos agradecimentos. No fundo, as letras N, E, I e L estão acesas em tons de vermelho e Neil Young entrega-se a uma incendiária versão de 'A Day in the Life' dos Beatles.Os coros soam messiânicos, e transportam toda a gente para um lugar melhor, ainda que por breves instantes. A toada é abrasiva. No final, Neil rebenta com as cordas da guitarra e a sua entrega parece xamânica. A guitarra acaba no chão, depois de inundada por um mar de feedback. Final justo e apropriado. É assim que se constroem as memórias. E as lendas.00h15 - O concerto dos Gossip acaba com 30 ou 40 pessoas do público em cima do palco e Beth Ditto, a carismática vocalista e agitadora, na plateia a cantar 'We Are The Champions'.Era o último concerto da digressão e os americanos, agora 'promovidos' a quarteto, celebraram a ocasião com um espectáculo breve mas bem recebido pelos espectadores que enchiam o Palco Metro On Stage.Agora de franja, Beth Ditto apresentou-se com a energia e as formas que a caracterizam, enfiadas nuns leggings azuis e numa túnica aos quadrados.A cantora, que em Inglaterra é uma verdadeira celebridade, explicou que os Gossip tinham viajado 17 horas para chegar a Portugal, referindo-se por isso mesmo a este espectáculo como 'No Sleep Till Lisbon!'.A actuação começou com 'Listen Up!' e prosseguiu em bom ritmo; ficámos com a sensação de que Beth Ditto procura agora, mais do que anteriormente, o protagonismo do espectáculo, e que a banda tenta escapar ao rótulo de 'one hit wonder' com versões mais longas dos temas e dando ênfase à dimensão electro de outras músicas.Muito bem disposta, a 'big momma' Beth Ditto brilhou em 'Jealous Girls', pôs o público a cantar os parabéns ao tour manager e citou os Daft Punk, cantando 'One More Time' antes do momento mais esperado de qualquer concerto dos Gossip: 'Standing In The Way of Control'.Foi aqui que o povo foi convidado a subir ao palco, onde permaneceu, deitando mão a baquetas e garrafas de água, enquanto Beth cantava - a sua canção e 'We Are The Champions', mais 'no sleep till Lisbon!' - no meio da plateia.O rebuliço foi de tal ordem que muitas pessoas que nem tinham assistido ao concerto dos Gossip acorreram ao Palco Metro On Stage para ver o que se passava - um deles de muletas!Depois do concerto, Beth Ditto esteve ainda a tirar fotografias com os admiradores portugueses, emocionada com a recepção deste último concerto da digressão.A todo o momento Ben Harper deve entrar em palco, naquela que será a última actuação do Palco Optimus no Optimus Alive!08.02h05 - Se Neil Young trouxe retratos consigo, para se sentir em casa no Passeio Marítimo de Oeiras, Ben Harper trouxe o tapete da sala.É por cima dele que toca com os Innocent Criminals, a banda que faz questão que seja mencionada nos cartazes, ao lado do seu nome.Mais do que uma estrela, Ben Harper é um músico, o que explica a insistência na divulgação desse pequeno grande pormenor: os músicos que o acompanham e lhe dão segurança no espectáculo. Se bem que o americano podia tocar sozinho com os mesmos resultados, a nível de mestria e de aclamação popular.Em Portugal, Ben Harper é tão adorado que, ao final da segunda música, esta noite, a plateia irrompeu numa ovação espontânea e prolongada. Os aplausos, intensíssimos, podiam traduzir-se para um 'bem-vindo a casa', pois desde os primeiros concertos por cá que o autor de 'Welcome To The Cruel World' é recebido como um herói local.'Jah Work', numa versão lenta e meio reggae, abriu o concerto, seguindo-se 'Fight Out of You' e 'Colors In The Sun'.Uma a uma, as mensagens que os 'discípulos' de Ben Harper haviam pregado durante o dia - pacifismo, 'boa onda', união entre os povos - brotam no espectáculo de um dos santos padroeiros de Xavier Rudd ou Donavon Frankenreiter (o outro santo será Jack Johnson).Em comum, todos estes músicos têm também uma pronunciada reverência pela folk-rock mais clássica, o que facilita a adesão de milhares de pessoas às suas músicas.De todos, Ben Harper é o mais querido dos portugueses, pelo que este concerto estava ganho à partida. Nem por isso o marido de Laura Dern dormiu em serviço, oferecendo aos admiradores uma actuação familiar e relaxada, mas sempre virtuosa e sentida.A escolha do alinhamento e alguns 'esticanços' nas músicas, para pôr em evidência os talentos de cada instrumentistas, retiraram no entanto ritmo ao concerto; numa noite de muito frio, teria sido desejável um pouco mais de animação.Mas o público não levou a mal as delongas de Ben Harper, aplaudindo-o a toda a hora com uma convicção que levou o músico a olhar comovido, mas firme, para a plateia, dividindo o calor dos aplausos com a sua banda.'Welcome To The Real World', em versão extra-longa e sussurrada, 'Diamonds On The Inside' ou 'I Believe In A Better Way' foram alguns dos momentos mais aplaudidos do concerto de Ben Harper.Em 'Diamonds On The Inside', Donavon Frankenreiter (ou, como dizia um espanhol atrás de nós, Frankenstein) juntou-se à festa, cantando e tocando guitarra com aquele que é um dos seus mestres.Para o final Ben Harper guardou 'Boa Sorte (Good Luck)', a música que gravou com a brasileira Vanessa da Mata e que aqui contou com a generosa participação do público, que fez as vezes da cantora brasileira.A parte portuguesa da letra foi entoada com vontade e rigor pelas senhoras da plateia, num belo momento de comunhão. Seguiu-se 'With My Own Two Hands' e a vénia da praxe, por parte de Ben Harper e dos Innocent Criminals, aclamados pelo público do festival - numeroso, mas ainda assim aquém da enchente que, na Quinta-feira, acorreu ao concerto dos Rage Against the Machine.Muito coração e muito brio marcaram assim o fim da festa no palco principal do Optimus Alive!08. Para o ano há mais.
Lia Pereira, Marta F. Reis e Rui Miguel AbreuFoto de Rita Carmo/Espanta Espíritos