Da nova música periférica portuguesa que se fez sentir nos últimos anos, ergueram-se os Loosers como comandantes de uma geração de novos improvisadores, de exploradores devotos à causa. Essa família primeiro explodiu, depois estabilizou e agora alguns - os que restam - colhem os frutos de uma maior maturação, de um trabalho mais certeiro e substanciado. A actuação da banda lisboeta na Loja Optimus da Casa da Música funcionava, antes de mais, como uma espécie de reconhecimento desse trabalho. Os Loosers ao vivo são sempre uma surpresa, um embrulho por abrir. Não há como lhes adivinhar muitos gestos ou direcções. E os Loosers que actuaram esta noite, um dos muitos Loosers existentes, foram assumidamente rock.Desde cedo, ergueram-se riffs de peso considerável (a fazer lembrar uns Black Sabbath mais experimentais) e construíram-se explorações sónicas a fazer lembrar uns Comets on Fire em início de percurso. As armas de arremesso são fundamentalmente uma guitarra, um baixo e uma bateria mas os sons lançados por máquinas adensam as investidas; dão-lhes corpo e interesse revestido. Foram fundamentalmente três os momentos de exploração. Todos com finais diferentes mas com génese e objectivos similares: deixar o rock vir à tona através de um processo de exploração que aproveita o feedback e todos os gestos que noutras músicas seriam tidos como erros de percurso ou malformações. No final, venceram os Loosers e esta estranha de forma de vida que vai dando passos firmes em direcção ao reconhecimento de um público mais vasto.
Texto: André Gomes | Foto: Cristina Pinto Pinto